sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O por que da minha profissão.

Nesse período sem aulas e acabei caindo em uma crise de identidade, meio que comecei a esquecer quem eu era verdadeiramente (não meus amigos, não falo de memorias, elas continuas intactas). Prosseguindo, acabei me questionando se valeria mesmo a pena seguir a carreira de Professor, depois de escutar tantos argumentos e coisas que baixam a auto-imagem do cara. Do tipo o salário é baixo, terei que me matar para sobreviver, que me decepcionarei tentar mudar a realidade da sala de aula.
Mas no final, e aos poucos venho recuperando minha identidade, como Professor de geografia, Cristão e Anarquista(até a ideologia estava enfraquecendo).

Creio eu ter escolhido a melhor e mais valorosa das profissões, conheço as teorias que podem dizer que não sirvo para nada e posso Salvar o mundo. Mas quem disse que quero Salvar o Mundo? Na verdade não haverá uma revolução no mundo sem antes acontecer com você. Ai entra meu papel. Quando escolhi geografia, não escolhi por preguiça ou por achar mais fácil de passar, mas por seu papel na sociedade. Infelizmente vale aqui destacar que os ditos geógrafos estão cada vez mais se aproximando novamente apenas do interesse por salários ou por prestigio, voltando suas pesquisas apenas de carater técnicos e nada transformantes da realidade social. Digo aqui novamente para quem leu o livro aqui postado (na seguinte postagem: Link). Se não o leu leia.
Dai tiro uma pergunta por que você escolheu sua profissão? Apenas para ganhar um bom salário e se manter. Se a resposta for sim, Então meus parabéns, você será mais um inútil na transformação dessa sociedade. E mais, tenho boas noticias para você, você cada vez mais se tornará insensivel para com os outros se preocupando apenas com seus interesse.
Talvez você ache isso conveniente, mas vamos bater um papo serio, você quando escolhe sua profissão apenas por um salario ou apenas por gostar dela, sem ver ou imaginar como você ajudará aos outros com a mesma, está fazendo exatamente o que o sistema está querendo que você faça, logo mais uma vez você está sendo manipulado.
Quantos anos mais reclamaremos dessa sociedade e não faremos nada? Bem quem escolherá quando fazer uma coisa ou não é você pois eu já tento fazer minha parte.
Sou Professor de Geografia, meu objectivo não é ensinar ele ler um mapa, mas saber primeiramente para que um mapa serve de verdade. Não ensinarei apenas por ensinar, mas tentarei junto como meus alunos a despertar pensamentos críticos que transformem essa sociedade.
Aos dois grupos deixo uma citação do Geógrafo Anarquista Élisée Reclus.
Primeiramente a o primeiro grupo que esperam sentados.

"Falam bem do progresso em termos gerais, mas rejeitam o progresso em particular. Acham a que a sociedade atual, ruim como ela é, e como eles proprios comprovam, deve ser conservada; basta-lhe que ela realize o ideal deles: riqueza, poder, consideração, bem-estar." "Eles a evocam e conjura ao mesmo tempo; criticam a sociedade atual e sonham com a sociedade futura como se ela devesse sugir repentinamente, por um tipo de milagre, sem que o mínimo estalido de ruptura produza-se entre o mundo passado e o mundo futuro. Seres incompletos possuem apenas o desejo, sem ter a reflexão; imaginam, mas não sabem absolutamente querer"

Ao segundo grupo que tem coragem de mudar o mundo:
"Eu não falo daqueles que tomaram como objetivos, por sinal excelentes, a reforma ortográfica, a regulamentação da hora ou a mudança do meridiano , ou ainda a supressão do espartilhos ou das barretinas; mas há propagadas bem mais serias, que não se prestam ao ridículo e que exigem de seus protagonistas coragem, perseverança e devotamento. Havendo entre os inovadores retidão perfeita, fervor pelo sacrifico, desprezo pelo perigo, o revolucionario deve-lhes, em troca, respeito."

Não sei em qual dos dois grupos você quer se encaixar, o primeiro que não fará diferença nenhuma em sua exitencia ou querem marcar sua exitencia nesta terra.

Para finalizar deixo vos uma outra frase de um outro autor: "Se um homem não descobriu nada pelo qual morreria, não está pronto para viver." (Martin Luther King)



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