domingo, 3 de novembro de 2013

Textos da Madrugada

Não uso essa porcaria faz tempo, mas venho aqui para deixar mais dois textos das noites insones (ainda será o titulo de um livro meu... aguardem e não o roubem) Textos esses que só são escritos após a meia noite. Textos esses que não consigo segurar, ele não são meus, pois possuem suas vidas próprias apenas brotam da necessidade dessa mente insana que vós escreve (de vez em nunca) Acabo neles colocando muito de mim. Mas sinto uma contente liberdade quado consigo termina-los. Exemplo do ultimo que coloquei aqui esse dois me remoem a anos em minha mente mas nunca tinha parado para solta-los, venho por fim os colocando aqui.


Realidade Inconsistente.
As vezes paro para pensar na inconsistência da realidade.
Normalmente, quando coloco minha cabeça no travesseiro e tento desligar meus sentidos.
Mas, parecem que nesses momentos eles gostam de brincar
No dia fico orgulhoso de como não penso em você
De como foi difícil esquecer teu jeito, tuas formas, teu andar de tudo aquilo que eu amava
Mas que eu tinha por fim conseguido
Por mais que tenha sido difícil, não lembrava mais da força dos teus abraços, do som da tua voz quando brigava comigo sempre de forma que me desarmava. Por fim tinha conseguido esquecer teu cheiro.
Mas algumas noites, por mais que na minha alma se mantenhas ocultas, acabas se revelando.
Só é necessário lembrar uma palavra saindo da tua boca, que tudo revive dentro de mim
Cada momento que foi passado e cada momentos que poderíamos passar, de cada plano que nem chegou a ser feito
Então penso de que como as coisas mudaram para a impermanência, de que como os dias seriam diferentes se apenas umas palavras não tivessem sido ditas, ou se algumas pequenas atitudes não tivessem nos afastados tanto.
Mas na impermanência que venho aprendendo, venho com esse texto por fim te soltar. Não posso mais aprisionar tuas memórias em minha mente, nem pensar nos dias que nunca virão, pois se perderam em um passado que não existe mais.
Hoje o orgulhoso está morto, apenas sobrevive o indiferente.

Na Noite
Já passava da meia noite, e eu começava a perder as esperança de você voltar a entrar pela porta da sala, e ficar comigo, até pelo menos o dia amanhecer e conversarmos, tentarmos resolver tudo e com a manhã nossa paz voltasse.
Fiquei então perambulando, feito um zumbi pelas paginas da internet, nem sabia mais quanto tempo já tinha se perdido desde que você tinha ido, mas sabia que por mais que eu negasse as horas já tinham se passado e você não voltaria. Foi quando de repente, na silenciosa paz que vem com a noite, ouço um som lá fora, de como se fosse um carro estacionando, de frente a esse edifício velho e quase abandonado que você sempre disse que eu insisto em morar.
Coloquei-me então de sentinela atrás dos vidros que protegem minha sala, de tudo que vem com a madrugada e o seu vento frio, e observei o carro preto que realmente acabará de chegar ao local, pensei que talvez, nas minhas vãs esperança de alguma forma, por mais impossível que fosse, mas que ainda fosse você.
Mas a visão que tive, não foi dos seus longos cabelos, que a mais branda brisa, eu sentia o perfume que ele exalava. Mas sim de uma mão segurando firmemente os cabelos curtos de um rapaz, cabelos esses que deveriam ser loiros, mas que de longe eu vira que já assumirá um tom avermelhado do sangue que escorria e pingava no concreto, sendo puxado para fora do carro. Nesse momento percebia que eu não conseguia me mover e que por mais protegido do vento gélido da noite eu estivesse, era como se minha espinha estivesse congelada, por aquele breve momento que se seguiu.
O rapaz foi puxado para fora, e colocado de joelhos, mas para ser sincero, acredito que não conseguiria ficar de pé e que lutava para não deitar no chão, a sua camisa estava em frangalhos, percebia que deveria ter sido branca, mas agora, o que sobrava dela era uma mistura de vermelho e o marrom do sangue que começa a secar. Chamo de rapaz, pela aparência do seu corpo, pois não direi com certeza que idade deveria ter, pois seu rosto era uma massa de carne que deve ter sido muito socada, além dos cortes disformes que ali se encontrava.
Já a pessoa que segurava, até agora, não conseguia ver o rosto, apenas um contorno que se camuflava na má iluminação, além de até agora se encontrar de costas, percebi que ele gritou algumas palavras, mas que não sei se por truque da noite e seus fortes ventos ou pela distancia que se encontrava não entendi o que era dito. Vi algo que deveria ser um sorriso brotar naquela massa deformada, que já fora um rosto e que se encontrava de joelhos. Tudo isso foi extremamente rápido, mas era como uma eternidade estivesse se passando, mais lento ficou quando aquela silhueta se projetou atrás do rapaz, com um pequeno punhal degolando sua garganta. Estava tudo acabado, mas então vi o rosto do executor, quando ele lentamente ergueu sua cabeça e por mais distante que os três andares que me separavam do térreo a certeza de que aquele rosto estava a encarar diretamente os meus olhos.
A visão do rosto daquele homem era com se eu vise o próprio anjo da morte, sua pele era branca, para não dizer extremamente pálida, seus olhos eram como duas safiras, seus cabelos negros penteados totalmente para trás, aumentando a intensidade e a vivacidade que aquele olhar poderia ter. Eu tinha certeza ele estava olhando para mim.
Ele então fez um gesto para o carro, e como a carruagem que carrega os mortos, acelerou velozmente deixando as duas criaturas, uma agora com certeza sem vida e outra que caminhava em direção ao edifício. Entrei em pânico, pois percebia que mais nenhuma luz estava acesa nos outros apartamentos e que só o meu apartamento se encontrava iluminado. Comecei a pensar rapidamente a quem poderia pedir ajuda, mas nesse canto, sei que os vizinhos tem mais prazer de ir ao seu enterro do que prestar qualquer tipo de socorro.
Fique pensando se mais alguém, foi curioso e descuidado como eu de ter visto o que vi, que essa pessoa teria o mínimo de misericórdia que se tem com outro ser humano, mas o silencio reinava entre todos os lares. Por fim meus pensamentos foram interrompidos pelo som dos passos que agora soavam dentro desse velho edifício. Desloquei-me quase instantaneamente para as janelas de um dos quartos, mas ainda não sei o motivo fiz questão de ser silencioso e ter certeza que não seria visto na espreita dessa vez. E vi um vulto se movendo, subindo cada uma das três escadas.
Meu fim era próximo, cada vez mais esse pensamento martelava em minha cabeça, lembrei então que até agora não vira nenhuma arma de fogo, apesar da certeza que ele deveria possuir no mínimo uma pistola, vi apenas usando seu punhal. Agarrei-me a meu ultimo fio de esperança, e corri logo para a cozinha e achei a singela peixeira, que se encontrava esquecida em cima do balcão. E fui para trás da porta principal, decidir-me que ele não me levaria também.
Agora ali abaixado, esperando que ele arrombasse meu portão e então cruzasse a porta o qual encontraria o fim, me perguntava se teria coragem, os sons estavam cada vez mais próximos. O portão não parecia ter sido nenhum problema, ele nem usou de violência, já deveria ter costume de entrar dessa forma noutros domicílios. Então a porta que me escondi se abre, sem nenhum cuidado ou zelo, deixando as duvidas para trás, cravo minha faca com todas as forças vindas da esperança do novo dia, nas costas do que eu pensava ser meu carrasco.
Então percebi que existe desgraça maior que a morte, pois acabei matando o único ser que não deveria morrer enquanto eu vivesse. você caiu lentamente para trás, mostrando que o momento que eu tanto almejei na noite eu transformava no inicio do fim da minha vida.
Sai lentamente do pequeno apartamento, vendo seus olhos me fitando por trás da sua morte, e subir no telhado deste velho edifício, pedindo que esses três andares sejam capaz de me levar de volta para perto de ti.

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